Sabia que uma diferença de 3min para o Javier tinha a liderança em risco. Como
o ataque é a melhor defesa, tentei fazer a diferença no singletrack técnico que
existia no início da etapa. Infelizmente este trilho passou depressa de mais e
voltamos ao estradão. Ataquei, mas ele
não saía da roda. Por volta do km 25 ele atacou numa subida, ganhou uns metros
e depois veio uma parte plana e não consegui recolocar-me. Impus o meu ritmo,
fui no meu limite até ao final, mas o tempo que o Chileno ganhou retirou-me da
liderança.
Sobre a etapa, esta foi mais do mesmo, o que não é mau de
todo. Estradão, subida, floresta, descida rápida, estradão e meta. Logo após o
1º abastecimento ao km 29 (supostamente ao km 22) veio a tão badalada subida de
3km que a organização disse que grande parte de nós iríamos fazer a pé. De
facto confirmou-se, subida inclinada sem tracção fez-nos penar. De vez enquanto
para apimentar aparecia uns troncos gigantes e a coisa ficava no ponto.

Tenho pena que não estejam presentes mais fotógrafos para captar o que distingue
esta prova. As paisagens por vezes de cortar a respiração que dá vontade parar
para contemplar. Assim foi mais uma floresta com as imponentes e centenárias araucárias
e desta vez com vista para vários vulcões.
Depois veio a vertiginosa descida em double track e de resto nada de mais. Típico
estradão chileno ondulante, com carros a circular normalmente exigindo a máxima
atenção. Menciono a colocação do segundo abastecimento na praia do lago
Caburgua que dava vontade de parar e mergulhar.
Levo sempre o mapa de altimetria colocado no quadro para gerir as
forças\comida\bebida. Constantemente somos obrigados a fazer a ajustes porque o
track que fazemos difere sempre do que a organização fornece. Hoje foram mais
quase 5km e o final que supostamente seria a descer, apareceram umas subidas
tipo rompe pernas que fizeram alguns participantes perder as estribeiras. Cortei a meta com 10min de diferença para o
para o Javier. Não conhecia o atleta, mas fiquei a saber que é um dos melhores
atletas da América do Sul, é profissional em ciclismo. Bom, não estou a
rebaixar-me, mas de facto o segundo lugar competindo com um atleta deste
calibre é menos mau.


O acampamento de hoje em Pucon tem vista para o Vulcão Villarica, um das principais
atracções do Chile.
A etapa de amanhã tem cerca…espera lá, é a ultima etapa da
TransAndes! Já vai acabar…São 46km com 1410m D+. Estarei à espreita e a dar o
máximo para sair da prova com a cabeça erguida e assim retribuir todo o apoio
que tanto eu como o Tiago e a Rita temos recebido ao longo destes dias.
Quem lê estes reports e quiser saber algo em especifico
poderá comentar que eu farei questão de responder. Ontem a Anita perguntou como
era a comida. Os BTTistas são uma espécie que se alimenta bem e numa prova
desta natureza não pode falhar. Durante as etapas os abastecimentos são
generosos em variedade de líquidos e sólidos. Existem gomas, doces, barras,
vários tipos de fruta, Coca-Cola, sais, água e mais algumas coisas que eu não
me recordo. No acampamento são servidas 3 refeições (de garfo e faca): pequeno-almoço,
almoço e jantar, além do pequeno abastecimento após a linha de meta.
O pequeno-almoço por vezes revela-se escasso na oferta. Não
existem cereais, nem fiambre e o queijo só vi uma vez. O normal são ovos
mexidos, pão (que saudades do pão português), iogurtes, bolachas, fruta e café
(dissolvido).
O almoço e o jantar são basicamente as mesmas coisas: massa,
arroz, puré, carne (frango ou porco ou vaca), alface, tomate, feijão verde,
cenoura. Para sobremesa temos frutas que são de óptima qualidade! Ontem tivemos
a sorte de ter torta que fez atenuar a minha ressaca de doces, principalmente
chocolate!
Amigos, obrigado por estarem desse lado, por aguardarem
ansiosamente pelos resultados e ficarem a torcer pela melhor classificação possível.
A camisola de líder que usei durante 4 etapas é dedicada a vocês!
Ride & Smile :)