Foi a primeira vez que corri uma maratona e a única experiência que tinha era de correr a S. Silvestre do Porto e que são ‘’apenas’’ 10km. Não me consegui preparar da forma que tinha planeado, apenas consegui fazer algumas corridas durante 4 semanas, daí que sentia um nervoso miudinho nos dias que antecederam a maratona. Não ia virar a cara à luta, ia encarar de frente os 42km, sendo que o objectivo seria fazer menos de 04.00h.
Pontos Altos
Não tenho experiência de outras maratonas, nem de assistir nem de participar, mas esta superou as minhas expectativas em vários aspectos:
- Participantes – 50 000 pessoas participaram nas várias provas ao longo do fim-de-semana. Era impressionante a moldura humana que se criou. Só na maratona participaram 28 000 pessoas. Em 2012 foi a edição 19 desta prova. Para muitos (99% penso eu) esta prova é uma excelente desculpa para viajar até à Disney para passar uma férias, fazer compras e conhecer as atracções dos parques. Sem dúvida que é uma excelente desculpa!
- Fantasias – Muitos dos participantes correm com fantasias de figuras das Disney. Eu utilizei as orelhas do Mickey, a Luli as orelhas do gato da Alice no país das maravilhas…mas havia quem levasse este assunto muito a sério e vestiam-se completamente a rigor, dos pés à cabeça!
- Percurso – Dentro dos parques temáticos da Disney. Partida no Epcot (Experience Prototype Community of tomorrow); seguindo-se a Disney World, Animal Kingdom, Holywood Studios e final novamente no Epcot. Apesar do sofrimento, o cenário era incrível
- Assistência – Milhares e milhares de pessoas ao longo de todo o percurso, incentivando, batendo palmas, gritando, com mensagens escritas, com megafones, cantando, dançando…uma festa!
- Figuras das Disney – Estavam todas : Mickey, Pateta, Pato Donald, Cinderela, Jack Sparrow e dezenas de muitas outras. Estas figuras encontravam-se distribuídas pelo percurso e estavam disponíveis para tirar fotos com os corredores. Eu e a Luli tiramos algumas, porque o momento era de aproveitar, não de correr para bater records.
- Abastecimentos – Sem falhas, com bastante líquidos e sólidos ao longo de todo o percurso.
- Voluntários – Centenas ou mesmo milhares, era impressionante a quantidade de pessoas que se mobiliza em torno deste evento.
A prova
O meu curral de largava era o E, o quinto a largar, não estava preocupado. Tinha talvez 20 000 pessoas à minha frente, mas o tempo apenas começava a contar quando passava no pórtico de partida. Claro que inicialmente a ultrapassagem exige paciência pois o pelotão vai compacto, mas nada que já não estivesse habituado das provas de BTT. Com o Mickey a fazer a contagem decrescente a o tiro de largada foi através de um belo fogo de artificio que iluminou os céus ainda escuros. (A partida foi dada às 05.30h)
Não sabia como iria reagir o meu corpo, apenas ouvia dizer que aparecia um paredão ao km 30. O primeiro objectivo seria apanhar a Luli que partiu no curral B, cerca de 10min antes de mim. Consegui alcança-la imediatamente após o Castelo da Cinderela, sensivelmente ao km 19. Corri com ela algum tempo, tiramos foto com o Mickey e com a Minie e depois tive de continuar no meu ritmo. Na corrida (como em muitos outros desportos de longa distância) temos de correr no nosso ritmo, se corremos acima estamos sujeitos a quebrar, se corremos abaixo o nosso corpo ressente-se e o cansaço aumenta.
As dores
Depois do km 25 as sensações nas pernas foram variadas, desde arrepios, dores nos pés, dores nos músculos (superiores e inferiores), tendões a chegar ao limite (rasgar)…chegou a um ponto que procurei uma posição de corrida onde sentisse menos dores. Procurava estratégias para passar o tempo indo atrás de corredores com ritmos pouco superiores ao meu, fosse eles homens ou mulheres. Claro que também puxava quando tinha de ser. Fiquei impressionado com alguns corredores com idades avançadas que conseguiam manter um ritmo elevadíssimo, outros que corriam DESCALÇOS e outros ainda que com as fantasias que usavam, conseguiam sequer correr!
A chegada
Milha a milha (nos EUA, a medição é em milhas), via o relógio com o tempo, houve alturas que fazia menos tempo a milha mas houve algumas que custaram imenso a passar! As ligeiras subidas no final revelaram-se autênticas paredes e as ultimas centenas de metros pareciam intermináveis. Assim que fiz a ultima curva e vi o pórtico de meta, emocionei-me, as lágrimas vieram aos olhos e aproximei-me da linha de chegada com milhares de pessoas a gritar e a bater palmas…uma sensação indescritível que só quem faz estas coisas sente.
Tinha completado os 42km em 3.38h, mas o mais importante foi ter chegado ao fim e ter vivido esta experiência!
Luciana Cox
O que dizer dela?! Fez o desafio do Pateta que é simplesmente uma meia maratona no sábado e uma maratona no domingo!!! Completou as duas provas e é oficialmente uma PATETA! Eu bem digo que ela é louca…mas tudo bem, eu gosto dela assim! Sem ela, muito provavelmente nunca iria viver esta experiência que foi sem dúvida marcante! És D+ brasileira!
A recuperação
Ganhei um andar novo que não sei quando ire ver-me livre dele. Doí-me as pernas, a caminhar pareço o Corcunda de Notre Dame, evito ao máximo subir ou descer escadas, esticar as pernas é sinonimo de ver as estrelas…por isso não aconselho ‘’isto’’ a pessoas que não tenham treinado minimamente. Mas digo-vos, chegar à linha de meta é uma sensação de outro mundo!
A Disney
Um mundo à parte, uma realidade que é impossível descrever em palavras ou fotografias. A forma como os cenários são recriados é impressionante e arrepiante. Aquilo que nós estamos habituados a ver na TV, estar ali à nossa frente apurado até mais pequeno detalhe deixa qualquer um de boca aberta. Desde miúdos a graúdos, a Disney tem tudo aquilo que apenas existe nos sonhos. Percorri quase todos os parques em ritmo acelerado porque o tempo não era muito…desde as montanhas russas alucinantes, safaris, animações 3D, filmes…foi um fim-de-semana bastante intenso!
Os EUA
Não podia terminar sem deixar de comentar o apelo dos americanos para o consumismo. A maneira como eles montam as lojas, colocam, os produtos, colocam a publicidade, te interpelam na loja. No final os preços das coisas, roupa e electrónica …quando vocês forem aos EUA, preparem-se psicologicamente e levem algum dinheiro e espaço na mala porque o apelo é irresistível.












































































