quinta-feira, dezembro 12, 2013

DOURO ULTRA-TRAIL # DUT


Texto publicado inicialmente no site douroultratrail.com 

O DOURO ULTRA-TRAIL # DUT é um evento de Trail Run que se irá desenrolar no Douro Vinhateiro e Serra do Marão no fim de semana de 13 e 14 de Setembro de 2014.

É um evento destinado a todos, desde os que querem caminhar pelos socalcos vinhateiro até aqueles que querem testar os seus limites. Existem portante 3 níveis para participação:

15Km - Caminhada competitiva 
35Km - Trail Run 
70Km - Ultra Trail   
Toda a informação nos site. Sigam o evento em:

SITE: www.douroultratrail.com
Facebook: www.facebook.com/douroultratrail
Youtube: http://youtu.be/0PUY7j1ibd8
Instragram: #douroultratrail



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DOURO ULTRA-TRAIL # DUT  - RECONHECIMENTO DE OUTONO

O que é a Paixão?

A paixão é uma sensação maravilhosa, a felicidade fica explícita e nos transpõe, o mundo transforma-se num colorido especial e tudo parece possível e alcançável.  A sensação de felicidade invade-nos e parece realmente não ter fim. É um sentimento muito especial.

Quando parti para esta ''viagem'' que é a criação do DUT, transportei comigo a paixão que nutro por esta região. O Douro vinhateiro e o contraste do maciço rochoso da Serra do Marão são locais de uma beleza ímpar. Vivo uma paixão intensa por este local abençoado. Cada dia que passo aqui mais me apaixono e mais me deslumbro...



Os reconhecimentos

Os reconhecimentos é a partilha desta paixão com os amigos. Como sou de certa forma ''suspeito'' pela adjectivação do percurso, convido amigos para dar a sua opinião. Percorrer os trilhos do DUT é o intenso uso dos cinco sentidos, é uma aula de história, é também um grande desafio físico. 
 
Durante dois fins de semana consecutivos fizemos o reconhecimento do percurso do Ultra-Trail. Seria a primeira vez que iria juntar todos os troços para ver e sentir o resultado dos inúmeros reconhecimentos a solo. O calculo efectuado apontava para 70km com 4 000m de acumulado positivo e 4 000m de acumulado negativo. 
Não me limito ''apenas'' a desenhar percursos. Para mim é muito mais importante testa-los, conhece-los como a palma da mão, sentir a dureza, partilha-los e ouvir o que as outras pessoas acham. Desta forma podemos fazer ajustes além de nos proporcionar excelentes dias de convívio na Serra. 


DUT a duas velocidades 

É importante testar o percurso várias vezes em modos diferentes, daí o termos feito em modo trekking\caminhada e em modo corrida. Assim conseguimos tirar ilações sobre horários de passagem, pontos de corte, colocação de abastecimentos, meios de segurança no terreno, pontos de perigo entre outros. 

Hoje em dia é fácil navegar num trilho, os gps são uma ferramenta formidável.  Mas quando partimos para o terreno, queria ao máximo usar a memória mental para fixar todo o percurso na cabeça. Isto resultou em alguns enganos no primeiro fim de semana, mas no segundo bateu certo. Isto é importante porque quando se abrange uma área tão grande é fundamental visualizar todo o percurso na nossa mente.  

No fim de semana de trekking tivemos algumas dificuldades em completar o percurso de dia. Isso já não se verificou na versão de corrida. As fotos que coloco são de ambos os fins de semana. 

Os amigos

Convidei amigos das corridas, mas também dos pedais. Alguns deles são experientes atletas em provas de Trail Run internacionais. Esta experiência é além de valiosa é possivel estabelecer alguns termos de comparação.

Agradeço a todos vós a presença, o contributo e os momentos de convívio. Ester, Luís, Pedro, Lopes, Pedro Conde, André, Taxa e a um casal especial, Telmo Veloso e Susana Simões - Visitem o site : www.desafiosadois.com


 
Parte 1 : Peso da Régua - Sra. da Serra

Tanto na versão de trekking como na versão de corrida o percurso foi dividido em dois e assim será também a reportagem.
A divisão foi geográfica e simples, um dia para subir até à Sra. da Serra, o ponto mais alto da Serra do Marão com 1 416m. O segundo dia começa neste ponto e regressamos ao Peso da Régua e que irei publicar posteriormente.





Partimos do Clube de Caça e Pesca do Alto Douro (CCPAD), a escassas dezenas de metros onde será a partida do DUT, a Ponte Pedonal. Esta é uma das três pontes sobre o Rio Douro tendo sido inaugurada em 1872. Utilizada inicialmente para fins rodoviários, foi desactivada em 1949 e assim se manteve até 2012 quando foi finalmente requalificada.


Os primeiros kms são planos, percorrendo a principal rua da cidade, paralela ao Rio Douro. 
Aproveitamos para um breve visita ao Museu do Douro, local onde acontecerá a entrega dos kits dos atletas em Setembro de 2014. Fomos convidados a entrar e a conhecer uma exposição de fotografia da região. O espaço surpreendeu todos pela sua localização e vista sobre o rio e os socalcos vinhateiros.



 



Aldeia de Fontelas - Peso da Régua

Começamos a subir por velhos, estreitos e inclinados caminhos empedrados dentro do limite urbano da cidade. Já na aldeia de Fontelas encontramos os primeiros trilhos dentro dos socalcos. Estamos rodeados de vinhas, em caminhos milenares ''entre muros'' cobertos de oliveiras. Ao fundo, no nosso lado esquerdo está o belo espelho de água Dourado.

O contacto com a vinha é ainda mais intenso quando chegamos à Quinta da Bella Vista. Aqui o percurso entra dentro da quinta, subindo e serpenteando os socalcos pelas toscas escadas graníticas. Quando levantamos a cabeça contemplamos o Vale do Douro, a cidade e as pontes sobre o Douro. A nossa visão enxerga a barragem de Bagaúste, o miradouro de S. Leonardo de Galafura, Armamar, S. João da Pesqueira...meu Deus como  foste bondoso quando ''projectaste'' esta terra. 




















 Marcos Pombalinos 

Os primeiros marcos Pombalinos aparecem no nosso caminho sendo então tempo para uma breve lição de história. Estes marcos em granito foram mandados colocar pelo Marquês de Pombal em 1761 para delimitar a região demarcada do Douro, a mais antiga do Mundo. 



Aldeia de Oliveira e Cidadelhe - Mesão Frio

Descemos em direcção à aldeia de Oliveira, já no concelho de Mesão Frio, alternado o caminho entre densa floresta e amplas vinhas. Na nossa frente está o imponente Marão. Conseguimos facilmente destingir onde terminam as terras de cultivo e começa o inóspito e árido solo de montanha.  Há como uma fronteira natural onde termina a floresta, onde termina a vinha, onde não há aldeias. 

Percorremos estreitas ruas da aldeia onde somos brindados por uma generosa simpatia das gentes locais. 





 














Ponte Romana - Rio Sermanha 

Descemos vertiginosamente até à ponte Romana que outrora unia as margens do Rio Sermanha, que divide as Aldeias de Oliveira e Cidadelhe. Tempo para mais uma paragem e um pouco de história.  

Por aqui passaram as tropas de Junius Brutus no ano 134 A.C., para destruir o castro Céltico na fortificada povoação de CIVITADElLA. Uma lenda diz que, aqui, os diabos davam audiência às meias-noites de sextas-feiras. 

Esta ponte tem mais de  2 000 anos - dois mil anos...IMPRESSIONANTE! Como se este ponto de interesse não bastasse, temos também mais um marco pombalino junto à ponte.






Quinta do Cotto  
Começamos a subida em direcção à Quinta do Cotto, propriedade da família Champalimaud. A ascensão inicia-se percorrendo trilhos junto ao Rio Sermanha. O cenário muda, parece que entramos numa selva tropical de tanta vegetação que nos rodeia. Depois entramos numa zona de sobral até entramos novamente nas vinhas.

A Quinta está situada no coração do mais antigo e tradicional sector de produção do Vinho do Douro (Decreto real de 1757), a Quinta do Côtto tem 70 hectares de vinha, mencionados nos documentos mais antigos que referem o estabelecimento de vinhas no Vale do Douro.
O solar é uma ampla e elegante construção do início do século XVIII sobreposta a uma construção do século XV/XVI da qual ainda podem ser encontrados vestígios. Existem ainda ruínas da Idade Média, na fachada traseira, que a tradição atribui ao primeiro estabelecimento da família Montez no local, antes da fundação da Monarquia em 1140.
O percurso passa por dentro da Adega da quinta, inclusivamente dentro da propriedade e dentro do Solar. Um acontecimento só possivel no DUT!















  

 



Aldeia de Vila Marim- Mesão Frio

Depois da Quinta do Cotto, temos uma vertiginosa descida dentro de vinhas e floresta em direcção a Valcovo. Aproveitamos para reabastecer no tanque publico onde por esta altura jorra gélida mas pura água. Aqui começa a mais longa escalada do percurso. São quase 16km em que 90% é a subir. O piso numa primeira fase alterna entre trilhos e curtos troços de estrada.

No centro de Vila Marim parámos no Café Central, o único nos primeiros 40Km. Há quem opte por beber um café, ou uma Coca-Cola, ou água, mas também nos foi servido um ''cheirinho'' à base de aguardente, açúcar e vapor...que mistura explosiva! 

O lugar de Passos é onde deixamos a civilização e nos entregamos à Serra do Marão. A entrada na Serra não podia ser mais idílica. Um souto com castanheiros centenários, colorido com as cores de Outono e com um tapete de folhas é a nossa porta de entrada na Serra. 

De repente as torres eólicas aparecem nos céus e pensamos, já cá estamos? ainda há ''pouco'' estavam tão distantes...o Trail Run tem esta facilidade de subir e descer a direito as colinas.  
 










Serra do Marão - Mesão Frio, Baião e Amarante

Olho para o gps e vejo que estamos a pouco mais de 1000m de altitude, mas a sensação é que estamos bem mais alto que isso. Vamos ganhando altitude e em nosso redor aparecem agora outras montanhas, outras serras. Aquilo que caracteriza o Marão faz-se sentir...pedra e mais pedra. A subida cada vez fica mais inclinada até que chegamos ao marco geodésico de Seixinhos, a 1 274m de altitude. 

A vista é simplesmente deslumbrante. Avistamos o Douro, os socalcos vinhateiros serpenteando o rio, a cidade do Peso Régua de onde partimos, a Serra de Montemuro, a Serra da Freita, a Serra da Aboboreira, os penhascos da Serra do Marão e pasmem-se...a Serra da Estrela também é avistada! A sensação é que estamos no topo do Mundo! 

Fazemos umas centenas de metros em estradão de acesso ao parque eólico. Lá bem no fundo observamos a recôndita aldeia de Mafómedes, pertença ao concelho de Baião, ''perdida'' no Marão. Recordo-me das minhas primeiras incursões na serra de bicicleta há 15 anos atrás vir a este local, virgem então. Sem torres eólicas, sem estradão, sem poluição visual, era 100% puro...desenvolvimento, a quanto tu obrigas...












Fraga da Ermida 

Subimos em direcção à Fraga da Ermida, já em trilho brutalmente inclinado e pejado de pedra. ''Estamos a correr ou a escalar?'' alguém do grupo exclamou! Na Fraga da Ermida foi projectada a instalação de um radar de apoio à aviação mas que entretanto foi abandonado, ficando apenas o que resta da estrutura. A nossa linha de vida é delimitada pela linha da falésia. Uma queda aqui seria fatal. O percurso do DUT passa numa zona segura, uma dezena de metros ao lado. 

As Antenas do Marão finalmente estão à nossa frente, ao nosso alcance sem mais subidas, sem mais paredes...chegar aqui é um sentimento de conquista épico que certamente irão sentir em forma de arrepio pelo corpo todo. O gps assinala 30km, 2 300m de acumulado positivo e 900m de acumulado negativo. 

















Acontecimentos - Caminhada \ Trekking - Pôr do sol e escuridão na Serra do Marão 


Nesta altura do ano os dias são curtos daí ser essencial arrancar cedo para completarmos os 35km com luz natural. No fim de semana da caminhada quando arrancamos já passava bastante das 10.00h o que se veio a revelar uma situação ''escura'' ao final do dia. 

O sol estava a pôr-se e ainda faltavam 8km para chegarmos às míticas Antenas do Marão. Sem luz, com um vento forte associado às baixas temperaturas, o final da tarde foi no mínimo épica. Nenhum de nós se importou com o sucedido. O pôr do sol que tivemos oportunidade de contemplar foi simplesmente mágico! 

Pedi ao amigo Zé Pedro para esperar por nós nas Antenas para nos dar boleia para a Régua, mas a hora que lhe indiquei da nossa chegada foi, digamos que (bastante) desfasada. O Zé veio com a sua pick-up ao nosso encontro e acabou por nos resgatar a 2km das antenas. Ninguém se manifestou contra, entramos todos de imediato na carrinha apesar de antes todos concordarmos em terminar nas Antenas...

Obrigado Zé!

Fomos directos para o clube (CCPAD) que nos preparou um deliciosa massa com bifes em tempo record. Obrigado chefe João. Este jantar feito de improviso sossegou o nosso estômago alimentado todo o dia a sanduíches, frutos secos, uvas e dióspiros (directamente das árvores). 





  
Acontecimentos - Caminhada \ Trekking - Castedo - Alijó

Fomos dormir a Castedo, uma singela aldeia do concelho de Alijó. Quando saímos do carro levamos uma tamanha ''chapada'' de frio...Depois do pânico inicial de não conseguirmos colocar o cilindro da água a funcionar, a situação foi ultrapassada, felizmente!

Seguiu-se um breve convívio com ''inspiradas'' anedotas mas todos nós aterramos rapidamente, espalhados um pouco por todo o lado da casa. A mim tocou-se um canto mais ''gelado'' e isso obrigou-me a levantar a meio da noite e instalar-me bem junto ao aquecedor...

O post seguinte retratará a segunda metade do percurso. 

Fiquem desse lado!

João Marinho





Mais fotos na página do DUT no Facebook: 

https://www.facebook.com/douroultratrail 

Não se esqueçam de fazer gosto para acompanharem de perto todas as novidades do evento. 

Registem-se no Vintage Club e habilitem-se a prémios e condições especiais quando abrirem as inscrições:

http://www.douroultratrail.com/2013/10/douro-ultra-trail-dut-membros-vip.html

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João Marinho
Mountain biker, trail runner & adventure sports addict