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sexta-feira, abril 20, 2012

Sonhar com bicicletas...acordado

Tive um sonho durante uma longa noite após uma maratona...

Viajava entre uma cidade chamada Roterdão e outra chamada Amesterdão, pedalava num país onde as bicicletas são prioridade, são usadas diariamente por todo o tipo de pessoas, desde as crianças que vão para escola com a bola ou os estiques do hóquei na ''garupa'', os adultos de fato que vão para o seu local de trabalho ou para reuniões de negócios, as senhoras de saia e saltos altos...
Via até bicicletas com uma caixa de carga na frente para levar todo o tipo de coisas (crianças, compras, mercadorias)...enquanto isso, pedalava com a minha namorada numa bicicleta de dois lugares (tandem) com um atrelado por ciclovias pensadas e construídas antes mesmo das estradas para os automóveis, onde existe sinalização especifica e mesmo os semáforos são específicos para bicicletas. Nas cidades existem locais próprios para guardar as bicicletas, e mesmo as próprias bicicletas tem mecanismos de segurança que impedem\dificultam o roubo.
Perguntamos um para o outro porque não usam capacete, uma vez que na nossa realidade distante, não concebemos o uso da bicicleta sem capacete. Rapidamente chegamos à conclusão que com as ciclovias, civismo, respeito pelas regras, o uso do capacete não é necessário. As pessoas pegam na bicicleta, num local, deslocam-se por uma ciclovia segura, sem grandes obstáculos, o uso de capacete é por isso acessório.



Vejo todo o tipo de bicicletas, sejam elas Fixies, BTT, Retros, Estrada, isso menos importa pois são utilizadas para um objectivo simples que é a deslocação diária. A minha visão detecta uma tendência nas bicicletas de senhora...personalização com bolsas coloridas, malas com flores artificiais, protector da corrente com desenhos, capas de selim personalizadas...tornando as bicicletas estilosas e muito femininas. Veja também milhares de bicicletas inutilizadas, enferrujadas que apodrecem  encostadas por toda a cidade. Parecem que estas bicicletas fazem parte da mobília da cidade...



Estava frio, nós pedalávamos ''encolhidos'' de gorro, luvas e vários casacos, mas as pessoas talvez por estarem adaptadas a este tempo, pedalavam normalmente sem luvas nem gorros e as senhoras até saia usavam. A minha namorada que viajava alegremente no banco de trás da tandem, apreciava, sorria, fotografava e comentava comigo futuras viagens noutras localizações com uma bicicleta personalizada especificamente para nós.


Durante a viagem conversávamos com os animais que encontrávamos, fossem eles ovelhas, cavalos, corvos, coelhos, cachorros, gatos...eles respondiam numa linguagem que conseguimos até entender...os campos verdejantes, floridos parece que torna estes animais mais felizes...só podia estar a sonhar...


Ambos estávamos completamente absorvidos por este país das bicicletas, das tulipas, dos canais, da liberdade de expressão e da multiculturalidade. Ambos queremos levar esta cultura para os nossos (ainda) ''distantes'' países...


De repente sonho que estou num aeroporto a despedir-me da minha namorada, aguardando um voo (atrasado) para regressar a um país à beira mar plantado onde as bicicletas são consideradas um acessório para atletas ou pessoas que visam melhorar a sua condição física. Quem as (bicicletas) utiliza diariamente são desrespeitadas, descriminadas, e ignoradas. Tem que andar nos passeios porque as (poucas) ciclovias existentes na sua maioria são construídas com intuito de passeios à beira mar sem grande utilidade para o dia a dia das pessoas.

De repente oiço uma voz distante ''estamos neste momento a iniciar o processo de aterragem....''



domingo, abril 15, 2012

Maratona de Roterdão, o relato!

O ambiente que se vive antes de uma competição seja ela qual for, transforma e apaixona. Por toda a cidade de Roterdão via-se bandeiras, publicidades, marcações, telas...dentro do grupo da New Balance a mesma coisa...todo o mundo falava da maratona, estratégias, tempos, alimentação, records...
Decidi ''desanuviar'' um pouco e pedalar sozinho pela cidade na tandem até chegar ao porto de Roterdão e pensar se iria encarar a ''Missão Maratona''. Este porto é desde os tempos dos descobrimentos um importante plataforma para o transporte marítimo entre a Europa e o resto do Mundo. Reflecti bem pois o treino de corrida tem sido escasso, mas como diz o Capitão Nascimento do Tropa de Elite: ''Missão dada é missão cumprida''...


O Danny Orr da New Balance UK cedeu-me a inscrição para maratona...de um dia para o outro estaria a correr a minha segunda maratona depois de ter prometido a mim mesmo que tão cedo não iria meter-me noutra...há quatro meses atrás fiz a maratona da Disney, terminei com 3.38h com as pernas a reclamar bastante. Lidar com o sofrimento é ''normal'' para quem faz competição, aguentar as dores, arranjar motivação extra, pensar na passagem pelo arco de meta...eu estou sintonizado com isso e sabia que iria voltar a sofrer...antes disso, alguma brincadeira...

A estratégia desta vez foi diferente, não saí quem nem ''uma vaca louca'' como dizem os brasileiros, decidi começar controlado, tentando seguir um ritmo mais ou menos constante mas dentro do plano de baixar o meu tempo para menos de 3.30h. Estava a ser um pouco ambicioso demais, mas quando o Danny me deu o seu kit de prova disse (em jeito de brincadeira) que eu não podia fazer menos de 3.25h que é o melhor tempo dele na maratona para não ficar mal quando os amigos vissem o tempo. . Eu disse que iria fazer menos que isso! Então o foco era esse e fui atrás!


O dia amanheceu gelado, com uma temperatura abaixo dos 10º e muito vento. Os comentários variavam, uns diziam que estava o tempo ideal para correr, outros que não conseguiam correr com esta temperatura...eu apenas pedia para que não chovesse! Era engraçado ver a roupa que os atletas usavam...uns estavam confortáveis com uns calções e uma t-shirt (como eu) outros estavam completamente tapados da cabeça ao pés com luvas, gorros, calças, casaco...


Correr uma maratona pressupõe-se que durante a prova se vá comer e beber muito, mas eu apenas comi metade de uma maça e 4 copos de bebida energética que a organização dava nos escassos e pontos de abastecimento. A alimentação antes da prova rica em carbo-hidratos vinda dos brownies, gelados, croissants e bolos foram os responsáveis para esta...digamos ''falta de apetite''.

Voltando à estratégia,  para mim só começa a contar quando passo os 21km, quando atingimos metade da maratona. Depois deste ponto faço contagem decrescente por isso queria chegar lá com as pernas dentro do possivel confortáveis. Isso aconteceu surpreendentemente, então o meu segundo plano era atacar onde toda a gente se queixa da ''parede'' entre o km 30 e o 35. Assim o fiz, ataquei e consegui diminuir bastante o tempo por km. 



O pior foi mesmo os últimos 2km, já não tinha mais como aguentar as dores nas pernas e em vez dos habituais 4.40min ao km o tempo subiu para quase 6min...mesmo assim consegui completar a maratona em 3.21h bem abaixo dos 3.30h que tinha na minha cabeça e também abaixo dos 3.25h do Danny! Missão cumprida e record pessoal quebrado!

A Luli chegou com 3.56h batendo também o seu record pessoal e a Maria também da New Balance fez 4.11h estando também de parabéns! 
A tarde foi para descomprimir e conviver com a equipa NB Brasil, partilhando historias da maratona e RINDO muito com a ajuda da muita e boa cerveja feita tradicionalmente pelos monges Belgas!! A tarde acabou num bar onde estava a acontecer uma despedida de solteirA, fui atacado e ''obrigado'' a fazer um strip...bem estamos na Holanda!



Obrigado a todo o staff New Balance Brasil, especialmente ao ''chefe'' Jullian Salgueiro!
Obrigado Danny Orr por me ceder a inscrição no dia anterior!
Obrigado à minha namorada, Luciana Cox por me convidar para ''estas coisas''!

Prometo que da próxima vez que correr uma maratona primeiro que tudo, irei treinar depois tentar baixar das 3h!

Versão Pink da Luciana Cox aqui.

Vídeo da maratona e de toda a viagem:


Love the ''RUN''!

sábado, abril 14, 2012

Amesterdão - Roterdão a pedalar!

Holanda, um país que rompe com o tradicional, onde são permitidas extravagancias, onde a liberdade de expressão impera, onde a cultura ganha lugar de destaque e onde as bicicletas são respeitadas e utilizadas por todos sem preconceitos. Pedalar de fato (terno no Brasil), de saltos altos, ou mini saia é normal, ninguém vira a cabeça por isso, é normal! 


Já tinha pedalado na Holanda em 2006 na Eurotrip de bike com o . Voltar a este país é sempre um prazer para quem gosta de pedalar como é o nosso caso. Depois do nosso EXPRESSO NORTE A SUL em Portugal, onde levei a Luli a conhecer o Alentejo e o Algarve, vim com ela para a Holanda para dar apoio na Maratona (a correr) de Roterdão que a NEW BALANCE apoia.




No país das bicicletas, tínhamos de andar de bicicleta, portanto nada melhor que ligar Amesterdão a Roterdão a pedalar. Desta vez decidimos inovar, em vez das nossas habituais Rocky Mountains, alugamos uma tandem (bicicleta de dois lugares) e colocamos o nosso atrelado Weber Monoporter. O aspecto era de um pequeno comboio movido a pedal, provocando alguma surpresa e sorrisos por onde passamos.



Os primeiros metros foram que algo que complicados pois exige coordenação de movimentos, conhecer a bicicleta, fazer viragens, etc..isto tudo ao ritmo de muita gargalhada como é típico nas nossas viagens!
Amesterdão é uma cidade apaixonante com as casas características em tijolo, os canais e os barcos , as bicicletas ''amontoadas'' em tudo o que é lugar, a diversidade de povos que se cruzam na tua frente, do cheiro a ''erva'' queimada...e tantas outras coisas que colocam a cidade num patamar único a nível mundial.


Saindo de Amesterdão seguindo as indicações do GPS foi algo de engraçado pois andamos às voltas sem sair praticamente do sitio durante um bom tempo, mas tudo bem, era tudo bonito de se ver! Assim que saímos da cidade, encontramos ciclovias, campos verdejantes, os tradicionais moinhos, plantações de tulipas e narcisos, canais de agua ligando cidades onde cada casinha tem o seu barco à parta...um visual que estimula todos os sentidos e que nos transporta para outra realidade.


Pedalamos 6h sem nos apercebermos, quer dizer a Luli percebeu porque chegou a um ponto que o cansaço acumulado falou mais alto. Felizmente que já estamos perto do nosso destino, Roterdão! Chegamos na cidade já de noite, o frio apertava e a fome também. Depressa encontramos o Hotel onde a equipa New Balance estava instalada onde nos juntamos também.

 
O dia seguinte conheci não só a equipa que veio do Brasil : Jullian, Maria, Ciro, Gus como também o staff mundial da marca, com representantes dos EUA, África do Sul, Japão...o convívio foi ''super legal'' com eles. Pessoas muito acessíveis, divertidas e que conversam connosco como nos conhecessem há nos! Sinto-me um privilegiado por conhecer e integrar esta equipa, obrigado NB!
 

Hoje, véspera da Maratona, dei uma pequena corrida para ver como me sentia, pois fiquei de tal maneira envolvido com as pessoas e com o evento que estou com vontade de fazer a Maratona. Pior é que não corro faz 4 meses, desde a Maratona da Disney em Janeiro. Parte do meu corpo diz que sim, outra parte diz que ''é melhor não'' e agora, o que eu faço?