sábado, outubro 11, 2014

Exploring Madeira - Volta à Ilha da Madeira

Quando fui a primeira vez à Madeira para participar no MIUT em 2013 vim de lá com duas certezas, primeiro é que tinha de participar na prova rainha, os 115Km atravessando a ilha de uma ponta à outra. A outra era que tinha de voltar com mais tempo para me perder pela ilha.

Um dos ''programas'' que tive nos dias que por lá andei a explorar depois do MIUT 2014 foi dar uma volta completa à ilha. Os programas outros irei partilhar em breve. Foram sempre todos vividos com muita intensidade e que incluíram Trail Run, Parapente, Surf, BTT, Porto Santo entre outros...

Quando conversei com o Aurélio sobre a minha intenção de dar a volta à ilha na BTT com atrelado, num único dia ele disse que não era viável. Ainda teimei um pouco com ele, mas sinceramente rendi-me aos argumentos. Deixei o atrelado em casa e dividimos a volta em dois dias. O sentido foi o dos ponteiros do relógio, ou seja, Funchal > Porto Moniz > Machico > Funchal. 




O Filipe Oliveira juntou-se na aventura que também era uma estreia para ele. Saímos de Santa Cruz tendo como objectivo chegar a Santana no mesmo dia. Eu como não sabia o que me esperava e tendo em conta que queria fazer tudo num único dia, por mim estava pacifico. O Aurélio mesmo assim achava que era ambicioso e o Filipe, ainda muito novo, vinha por arrasto não imaginando muito bem no que se estava a meter. 

Com amigos ''nativos'' tudo tem mais piada. Levam-nos aos sítios mais bonitos, contam-nos histórias, partilham experiências, etc. Fomos passando muito bem o tempo. Estava um dia quente, mas agradável para se pedalar. Paramos no Funchal para ir literalmente ao pão na mítica Padaria Mariazinha. Continuamos pela zona nobre da cidade onde os hotéis de 5 estrelas são uma constante. Seguimos para a bonita vila de Câmara de Lobos e subimos ao Cabo Girão onde tem o ''assustador'' miradouro em que o piso é em vidro. Durante a subida distrai-me, bati contra um autocarro que estava parado na berma da estrada. A sorte é que foi a subir e a velocidade era pouca, mas doeu! Os bananais nesta parte da ilha são uma constante. Perdem-se de vista por vezes.

A primeira paragem para comer foi na Ribeira Brava. Como eu gosto de ir ao supermercado, comprar comida e comer no jardim. 

Na Ponta do Sol e com um solinho a bater, paramos para descansar um pouco...acho que até adormeci deitado na pedra...

Começam a aparecer os túneis...usamos a estrada antiga, por isso alguns destes túneis são pouco frequentados e a iluminação é escassa. São escavados na rocha, parecem autênticas cavernas.  
  
O almoço...ahh não houve almoço, parámos para comer qualquer coisa na Calheta numa das poucas praias de areia amarela da ilha. 

O Aurélio conhece as praias todas e faz questão de me mostrar. Algumas a estrada não tem saída e temos de voltar para trás como por exemplo no Jardim do Mar. Não me incomoda nada porque estava a valer a pena pela beleza. 

Fizemos uma visita ao Bar Maktub no Paúl do Mar onde no dia anterior pude contemplar um por do sol magnifico (próximo relato). Começamos então a ''contagem de montanha'' da Fajã da Ovelha. Com o sol a bater na cara, do melhor para amolecer o corpo, os meus companheiros começam a querer levar com a marreta. Primeiro o Filipe, depois o Aurélio, mas ambos conseguiram escapar não fosse a Coca-Cola e os chocolates do tasco no topo da subida. É engraçado que o Emanuel Pombo por estes lados aparece em todo o lado. É nos jornais, é em quadros nos cafés, ele está por todo o lado. Não fosse ele um campeão da terra, mais propriamente da Ponta do Pargo. 










  














Chegamos a Porto Moniz eram oito da noite com 120Km. Foto da praxe nas piscinas naturais e siga que se faz tarde para Santana. Aceleramos para recuperar o tempo, mas fomos obrigados a desacelerar porque o homem da marreta voltou a aparecer, não foi Aurélio? Nova paragem num café para mais chocolates e coca-cola. Ao ver as grandes tabletes de chocolate Milka ainda gastamos uns euros na máquinas das bolinhas a ver se a sorte nos calhava, mas só tivemos direito a mini-chocolates...a mulher do café bem nos avisou...

Em S. Vicente paragem obrigatória para uma fatia de bolo de chocolate lá na pastelaria onde toda a gente pára. Ordens são ordens e há que obedecer!

A noite começa a cair quando chegamos à parte mais dura do dia ou da noite como lhe queiram chamar. Era com cada rampa! Algumas com 27% de inclinação. Era do tipo, sobe tudo, desce tudo, sobe tudo desce tudo...O Filipe foi-se aguentando até ao final, mas a corda esticouuuu...Mas também com aquelas subidas...

Onde está Santana? Falta muito? Estamos longe? Eram as perguntas que se repetiam...

Já só pensávamos na dita panela de massa que a esposa do Aurélio fez para nós a contar que iríamos chegar...estão preparados? às cinco da tarde! 

Já passava das 23h quando chegamos à panela de massa. Mas é assim que eu gosto, chegar de noite e com muitas histórias para contar. E eu a pensar que era o único a falhar as previsões de chegada em mais de cinco horas...muito bom! Não me lembro quantas vezes repetimos, mas lembro-me que aquela foi talvez a massa mais deliciosa que todos nós comemos.Que consolo!










Quando acordo no dia seguinte e vejo onde estou, fico maravilhado. Uma modesta casinha da família do Aurélio, mas com uma vista maravilhosa para o Atlântico e para as montanhas. Demoramos um pouco mais a sair porque eram ''apenas'' 60Km até Santa Cruz.

Ao passar pelo centro de Santana havia feira. Vi por lá frutas que não conhecia, experimentei algumas e fiquei deliciado pela Ananoa que, apesar de conhecer, estava a saber-me particularmente bem. 

A fotografia da praxe nas Casinhas de Santana (as que restam) que são o símbolo da ilha da Madeira. Siga viagem até Porto da Cruz onde a família do Aurélio veio matar saudades e almoça connosco. 

O Emanuel, piloto de parapente, veio ao nosso encontro e pediu-nos ajuda para levantar voo. Lá fomos nós ajudar na descolagem. As condições não eram as melhores. Mas ele queria mesmo levantar. Depois de várias tentativas lá conseguiu levantar mas aterrou logo de seguida na praia. Bem, grande maluco!

A subida à Portela foi desafiadora porque o almoço foi ''generoso''. Quando chegamos ao Miradouro da Portela a chuva fez questão de aparecer e arrefeceu bastante o que tornou a descida para o Machico algo dolorosa. Mas há que aguentar que a ''meta é já ali''. 

No Machico ''perdemos'' o Filipe. Foi directo para casa. Não quis fechar o circulo até Santa Cruz e entende-se porquê. Já muito fez ele ao fazer o que fez. Miúdo de garra!

No bar do Ludens Clube de Machico celebramos a nossa volta com uma Vianetta repartida pelos dois.  Ui como eu adoro isto!

A casa do Aurélio é no topo de uma encosta. Quando subi a primeira vez de carro fiquei abismado com a inclinação. Não imaginei que houvesse subidas destas sequer! O Aurélio na bike de estrada não tem andamentos para uma subida destas e eu na de BTT tinha de ir na avozinha e a mastigar. I M P R E S S I O N A N T E !!

Terminamos assim a aventura em dois dias, bem vividos e em óptima companhia. Aurélio e Filipe, vocês são ''TOP''!

Era meio da tarde quando terminamos, ainda fui a tempo de combinar com o Eduardo Pereira uma volta pelo Funchal. Queria estar com este amigo. Subimos uma colina do Funchal e descemos até à cidade onde jantamos e colocamos a conversa em dia. Mais um um bolo do caco e uma brisa maracujá...

Mais fotos desta aventura na minha página de atleta: www.facebook.com/marinhojoao




 

Sem comentários :

Enviar um comentário

João Marinho
Mountain biker, trail runner & adventure sports addict