domingo, dezembro 16, 2012

Amarante - Serra da Estrela 2002

Se em 2001 o grupo BTTâmega foi a Fátima, em 2002 foi à Serra da Estrela. Nesse ano, deixamos de ter entre nós o timoneiro do grupo, Pedro Gomes. Deixou-nos de forma trágica num acidente de moto num domingo de tarde. De manhã tinha ido pedalar connosco...um dia bastante complicado para mim, porque via no Pedro um grande exemplo de vida e acima de tudo, um grande ser humano. O grupo ficou sem o líder, mas a vida tinha de continuar e foi então proposta a ida à Serra da Estrela.


Os cálculos apontavam para 220km entre Amarante e as Penhas da Saúde. A decisão foi no mínimo arrojada, porque pretendíamos fazer isso numa tirada só com um grupo de certa forma numeroso. Eu não vi entrava nenhum e para mim era exequível, mas revelou-se massacrante para 99,9% dos elementos do grupo. As razões foram várias, distância porqe logo à partida 220km num dia é duro, depois as condições meteorológicas foram bastante adversas com muita chuva, frio e vento contra. O perfil do percurso também não foi nada agradável...Amarante, Régua, Lamego, Moimenta da Beira, Trancoso, Guarda, Covilhã...na altura nem sabia o que era ou qual seria o acumulado, mas acredito que tenha dado uma quantia apreciável.


Depois desta aventura alguns elementos nunca mais foram os mesmos, principalmente no que respeita a pedalar à chuva e ao frio. O meu irmão que o diga, porque que tinha começado a pedalar naquele ano e foi submetido a um tratamento de choque...


Eu saí de Amarante com o objectivo de só parar de pedalar nas Penhas e não houve nada que me demovesse disso. Com o passar dos kms ouve diversas desistências, o grupo foi reduzindo, reduzindo até que chegamos à Covilhã apenas 3 elementos, eu o Hélder Teixeira e o José Silva. Já passava das 20h, era noite e fiquei entregue à Serra. Contra a vontade de muita gente continuei firme com o objectivo estipulado e comecei a subir as inclinadas ruas da Covilhã...Depois do limite urbano da cidade, a iluminação desapareceu e eu também não tinha iluminação, apenas algo que assinalava a minha presença. Ouvia os lobos e o bombear no amortecedor traseiro, ''nheque nheque''. A carrinha de apoio veio ao meu encontro a meio da subida reforçando a ideia de que o que eu estava a fazer era perigoso, perguntando se eu queria ''boleia''? Eu disse prontamente que não e que apenas parava na pousada. Já passava das 23h quando cheguei ao destino, exausto é certo, mas com o ''dever'' cumprido. Ufa!


O dia seguinte quase toda a gente voltou ao pedal e subiu à Torre, o ponto mais alto de Portugal Continental com 1 996m de altitude. Tal como muitos outros sítios de Portugal, foi a pedalar que lá cheguei. As condições meteorológicas não estavam com contemplações para fotografias e depressa estávamos a iniciar a descida para Seia, passando pelo Sabugueiro. Em Seia terminou a nossa aventura e o regresso a Amarante foi no autocarro gentilmente cedido pela CM-Amarante. 

A suspeita de costume, a ''monstruosa'' Mountain Cycle, foi novamente a bicicleta de serviço tal e qual a usava na altura para fazer BTT.  Bicicleta de guerra que tanto gozo me deu...que me levou a Santiago de Compostela duas vezes, que me permitiu pedalar 24h seguidas entre muitas outras aventuras inesquecíveis! 

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João Marinho
Mountain biker, trail runner & adventure sports addict