sexta-feira, fevereiro 07, 2014

Actividades pós TransAndes 2013

Já passou mais de um ano sobre a participação na TransAndes e nunca cheguei a escrever sobre pós prova. Passado este tempo, olho para as provas seguintes e verifico que todas tem um denominador comum. Depois da prova há sempre espaço para (mais) aventura, foi isso depois da TransPyr, depois da Mongolia Bike Challenge também elas em 2013. No passado também foi assim, ou antes, ou depois havia sempre mais ''qualquer'' além da prova em si. 

A TransAndes termina em Pucón, local magnifico para a pratica de desportos de aventura. Além do imponente e majestoso Vulcão Villarrica, há um enorme lago, inúmeros rios muitas montanhas. Aqui o ''problema'' é saber o que escolher face ao tempo que se tem. 

Estava com o Tiago e com a Rita, as actividades eram sempre a três. Combinamos sempre em conjunto. Analisamos as ofertas disponíveis. Aqui tudo funciona por marcação. É uma cidade turística com muito movimento nesta época do ano. Para eles é Verão. Marcamos o rafting para o final da tarde e subida ao Vulcão para o dia seguinte. Enquanto isso fizemos um tranquilo passeio de barco. Depois do rápido passeio fizemos praia. Começamos a ver as motas de água de lado para o outro. Ganhamos coragem fomos experimentar a velocidade de mota de água. Uma sensação nova para mim. Nunca tinha andado.  A sensação de velocidade na água é intensa e eleva os níveis de adrenalina.










À hora marcada dirigimo-nos à agência para irmos com o grupo para um rio e assim iniciar o rafting. Também um desporto novo para mim. Devidamente equipados com o fato de neoprene, capacete e remo lançamo-nos na água. Inicialmente houve uma pequena competição saudável com o barco vizinho. Até chegarmos aos primeiros rápidos. O velocidade aumenta, o batimento sobe e a adrenalina corre pelo corpo todo. O nosso guia ensina-nos movimentos e técnicas para estarmos em sincronia e assim contornas os obstáculos.

Os rápidos aumentam de tamanho, mas o nosso à vontade também. O guia coloca o barco parado imediatamente após o rápido. Ficamos inundados. Depois somos ''convidados'' a saltar fora do barco e ir até à costa a nado. Tivemos de saltar para água num local depois disso. Já a noite caía quando a actividade terminou. Chegamos a Pucón já de noite e fomos recebidos na agência com um lanche. Seguiu-se um delicioso jantar num dos muitos restaurante que esta cidade tem. A sobremesa já foi noutro restaurante, fomos experimentar um fondue de frutas que o Tiago andava a namorar. Um dia muito bem preenchido.









Com o vulcão à nossa frente, o primeiro pensamento é subi-lo! Depois de nos informarmos como se processa concluímos que só com uma agência se conseguia (dentro da lei) ir lá ao cume. Algum tempo depois e alguns pesos chilenos a menos tínhamos marcação para no dia seguinte atacar o vulcão.

É nos fornecido uma série de material necessário, mochila, botas, capacete, polainas, piolet, uma espécie de prancha para apoiar o rabo e deslizar na neve. Efectuamos a viagem de carrinha juntamente com mais elementos até próximo de uma estação de esqui que se encontrava inactiva por estarmos no Verão. No entanto os teleféricos funcionavam e foram utilizados pelo grupo para ganhar tempo durante a subida. 

Durante a subida percebemos o quanto poderosa é a mãe natureza. As marcas das ultimas erupções numa antiga estação de esqui são evidentes. A estação literalmente desapareceu. Há muita gente a subir o vulcão. O dia está óptimo para esta actividade.

Com a chegada à neve o guia dá ensinamentos básicos de alpinismo e dos riscos que corremos. As quedas podem ser fatais uma vez que não estamos encordados e existem fendas e pedras por todo o lado. À medida que subimos a temperatura baixa e vamos vestindo roupa e aproveitamos para aconchegar o estômago. A vista é deslumbrante para o lago, para a cidade, para os outros vulcões e para toda cordilheira andina.

Assim que chegamos ao cume, deparamos com a enorme cratera. É verdadeiramente impressionante a a sua dimensão. O enxofre que expele é altamente tóxico. Quando inalamos ficamos completamente atordoados e os olhos ardem. As pequenas erupções recentes são  visíveis. As pedras que ali encontramos eram lava há poucos dias atrás.

Contornamos todo o vulcão e a vista é realmente avassaladora. Vemos muitos outros vulcões, muitas outras cidades e lagos. As montanhas perdem-se no nosso horizonte. Aos nossos pés temos glaciares e montanhas de pedra fruto das erupções. A vegetação por onde a lava passou é simplesmente inexistente!

A tal prancha foi usada para deslizar na neve e tornar a nossa descida muito mais rápida. Assim que lhe apanhamos o jeito não queríamos outra coisa. Descemos pelos tobogans  já formados na neve a velocidades consideráveis. Depois entramos novamente no trilho que nos levou ao ponto de partida. Apesar de ter sido um dia com um programa turístico, juntou a aventura e um vulcão. Valeu bem a pena!

Fiquei com a nítida sensação que deveria ficar em Pucón mais tempo, mas era tempo de iniciar a viagem de regresso a Portugal.

Até à próxima Pucón, Patagónia, Chile!



















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João Marinho
Mountain biker, trail runner & adventure sports addict