segunda-feira, abril 25, 2011

Mountain Quest 2011

Atravessar as serras, as 3 serras de uma só vez num único dia - Serra da Aboboreira, Marão e Alvão, antevia um dia longo, mas um desafio épico e que já há muito estava na minha cabeça. 

Existe o mundo e existem estas 3 serras que circundam a minha cidade - Amarante. Continuam a surpreender-me pela sua beleza, pelos seus trilhos e pela sua imponência. Enfrenta-las não bastava, teria que subir aos seus pontos mais altos, aliás, o caminho era sempre pelos pontos mais altos de cada uma delas.

Percurso realizado encontra-se a amarelo. 
A vermelho é o DBR EPIC 2010 e a azul a 2ª etapa da DBR 2011

O GPS marcou as altitudes máximas em cada uma das serras :
  • Serra da Aboboreira
    • 950m - Topo da Serra da Aboboreira
    • 913m - Parque eólico de Loivos do Monte
  • Serra do Marão
    • 1273m - Parque eólico da Teixeira
    • 1408m -  Antenas do Marão (Sra da Serra)
    • 1198m  - Parque eólico de Pena Suar
  • Serra do Alvão
    • 1198 -  Lamas D'olo
    • 1316m - Parque eólico do Alvão
    • 909m - Sra da Graça
Nota: Partida de Amarante a uma altitude de 76m
    Do alto da Serra da Aboboreira contemplamos o Vale do Tâmega, desde o conselho de Amarante a Entre-os Rios, passando pela Lixa, Felgueiras, Lousada, Penafiel, e o Marco de Canavezes. Espalhados pela Serra encontramos vários monumentos megalíticos com milhares de anos que nos transportam para a idade da Pedra.

    No alto de Quintela, o ponto mais alto da antiga estrada Pombalina que ligava Pêso da Régua ao Litoral, passamos da Serra da Aboboreira para a Serra do Marão. Aqui a vistas para o Rio do Douro, para a região do Alto Douro Vinhateiro e para a Serra de Montemuro enche-nos a vista num horizonte sem fim. A aldeia de Mafomedes ''perdida'' em plena Serra faz-nos pensar: Como é que é possivel viver num local tão remoto?
     

    Comecei a subir a Serra do Marão em direcção ao Parque Eólico da Teixeira, uma longa e dura subida que nos leva dos 500m aos 1300m de altitude. Daqui a vista é arrebatadora, fazendo esquecer o esforço necessário fazer para a alcançar.

    Segue-se um dos trilhos mais épicos e mais impressionante que a Serra do Marão oferece. A descida alucinante em direcção à Aldeia de ''Sobre a Fonte''. De um lado temos o enorme maciço rochoso da Serra do Marão, com os seus enormes precipícios, do outro os vinhedos do Douro que se estendem até ao leito do Rio Douro. Manter a atenção ao trilho torna-se difícil pois a beleza que nos rodeia é estonteante.
     

    O percurso contorna a Serra pelas suas aldeias mais remota, passando pela aldeia de Ferraria e Ermida. Aldeias desertificadas onde as famílias que lá vivem se devem contar pelos dedos de uma mão. Aqui comprei um folar da pascoa, pois já não tinha mais nada que comer. Para tudo é preciso sorte e eu tive ela do meu lado neste momento, pois encontrei um padeiro a fazer as ultimas entregues aos aldeões.

    A subida mais dura do dia liga a Aldeia da Ermida às Antenas do Marão onde passamos dos 600m aos 1400m de altitude. Um trilho florestal com uma inclinação acentuada que obriga a usar os andamentos mais leves que temos na bicicleta. Não existe descanso, não existe outra opção, estamos entregues a nós mesmos. Sinal dos tempos é um pequeno troço de asfalto em plena serra do Marão, são cerca de 300m que nos fazem pensar: como é que isto veio aqui parar? mas diga-se de passagem, soube mesmo bem.


    Atingindo as Antenas do Marão, atingimos o ponto mais alto do percurso aos 1400m de altitude. Daqui temos uma vista a 360º impressionantes onde é difícil transcrever tudo o que o nosso olhar contempla. Só mesmo uma ida ao local, é que se sente a energia que este local nos transmite.



    Estou a meio do objectivo, tenho ''apenas'' 75 km e sinto as pernas cansadas, mas mantinha a persistência de levar até ao fim o desafio. Mandei uma SMS ao amigo Manuel para ele me fazer companhia na Serra de Alvão, a ultima serra do dia. Em boa hora ele aceitou e veio ao meu encontro a Lamas D'olo. Até lá cruzei dois pontos míticos, o Alto de Espinho que é o ponto mais alto da Nacional 15 que liga Trás-os-Montes ao Litoral e o Alto de Velão que separa o Vale da Campeã do Parque Natural do Alvão.

    A subida para Lamas d'Olo permite-me olhar para trás e ver parte do percurso que já fiz pela Serra do Marão e penso: Eu sou louco!! 
    Uma grande manada de vacas e bois vinha no sentido inverso nesta subida, como eu já estou habituado a encontrar estes dóceis mas imponentes animais, segui o meu caminho. Eles invertem o sentido e começam a acelerar o passo na minha frente. Queria ultrapassa-los, mas não tinha grandes forças para acelerar mais o ritmo e eles aumentavam ainda mais o passo. Não queria assusta-los pois podiam incorrer sobre mim e decidi fazer um sprint com as poucas forças que tinha para os ultrapassar. Consegui-o mas sofri.


    No alto da Serra do Alvão temos uma albufeira maravilhosa que se assemelha a um espelho d'agua que reflecte a beleza à sua volta onde encontramos um manto de urze que pinta o cenário de lilás. Cenário arrepiante!

    Já na companhia do Manel subimos ao ponto mais alto do Alvão onde o horizonte alcança: Vila Real, Vila Pouca de Aguiar e toda a cordilheira que se estende até Chaves e Espanha. Estávamos num imenso planalto em plena Serra do Alvão de uma beleza indescritível.

    Aqui a chuva ameaçava, os relâmpagos começavam a cair e o sol tímido espreitava por modestas aberturas entre as nuvens. Pedalávamos na direcção oposta à Amarante o que me obrigava a fazer contas à vida e às minhas reservas que já estavam a chegar ao limite.

    Começamos a perder altitude e mudar o sentido da nossa rota em direcção à Sra. da Graça. Pelo caminho atravessamos o Rio Cabril que neste local é apenas um fio de água. 


    O caminho que nos leva da aldeia de Covêlo ao alto da Sra da Graça onde, a flora é a típica floresta Portuguesa que se encontra nesta altura no seu auge.

    Apesar do percurso não ser pelo alto da Sra. da Graça, decidimos fazer um ''desvio'' e ir à capela situada acima dos 900m de altura. Aqui consegui ver os 3 pontos mais altos do percurso em cada uma das serras. Comentei com o Manel, é impressionante o que o corpo e uma bicicleta conseguem fazer!

    A luz começava a escassear e era hora de me dirigir para Amarante. Deixei o Manel próximo de Mondim de Basto e fiz os últimos kms sozinho, mas aqui as forças voltaram e depressa cheguei à cidade. 

    O ditado diz, boda molhada, boda abençoada e não me livrei de apanhar chuva nos últimos kms.

    No final concluo que tive o dia mais épico da minha vida, que consegui cumprir o desafio e que agora merecia comer umas fatias de pão de ló.

    Resta saber se isto poderá ser no futuro a base para um evento para desafiar os mais duros e leva-los a conhecer os seus limites? Fica a questão...

    Love the Ride!


    Dados finais :

    • 150km
    • 5 000m desnível positivo acumulado
    • 11.30h

    Mais fotos do percurso:

      sexta-feira, abril 22, 2011

      Objectivo 5k & 150Km

      Não são 5km de corrida, não são 5km de natação, nem são bem 5km de bicicleta. São 5km (5 000m)de subida acumulada ao longo de um dia de pedal nas Serras da Aboboreira, Marão e Alvão.

      A formula é simples:

      +
      +


      = 
      5 000m & 150 km

      Irei colocar fotos no meu FB do GPS indicando a hora, distancia percorrida, acumulado, altitude e outros dados.

      Pelo menos 10h serão necessárias dado o ritmo não será muito acelerado. O objectivo é enfrentar as subidas mais inclinadas em cada uma das serras e conseguindo fotografar (espero que o S. Pedro colabore) paisagens unicas que mais tarde aqui colocarei.

      Amanhã por esta hora devo estar ligado às máquinas, mas no domingo, já recomposto com umas fatias de pão de ló, irei escrever o relato e colocar fotos.

      Este treino visa a preparação para a Riva del Garda Bike Marathon que será no fim de semana seguinte:


      Podem ver mais info sobre este evento aqui:

      http://www.bike-magazin.de/festival/riva/

      http://www.bikeandmore.it/contest.php?id=263


      O cenário fascinante do Lago di Garda irá receber milhares de participantes que participaram nas varias actividades proposta pelo Sympatex BIKE Festival Garda Trentino powered by Nissan:
      • X-race “SCOTT Nightsprint”
      • King of Dirt powered by Saalbach Hinterglemm
      • Rose Airshow
      • Specialised Enduro Ride powered by Shimano
      • Rocky Mountain BIKE Marathon powered by Vaude - 105km 3561m D+ 
      Devido ao escasso treino que ainda tenho, não vislumbro um objectivo diferente de pura diversão.



      Love the Ride!

      terça-feira, abril 19, 2011

      Zé BTT

      José Manuel Abreu da Silva, mas conhecido por Zé Silva ou somente o Zé BTT de Amarante. No dia que celebrou o seu 29º aniversário decidi escrever este pequeno texto para lembrar a amizade que nos une há anos.




      Longe vai o liceu e as aulas em comum da área de Electricidade, foi aí que nos conhecemos. Nessa altura andávamos ambos de bicicleta em grupos diferentes, mas depressa começamos a partilhar os passeios de domingo. O final do liceu (2011) separou-nos, eu fui estudar para o Porto e ele para Vila Real, ambos na mesma área - Electrotecnia.



      Apesar da distancia, frequentemente fazíamos ''intercâmbios'' ora no Porto, ora em Vila Real. O convívio universitário nessa altura era simplesmente fantástico! Esses tempos davam para tudo: Borgas, treino, ''gaijas'', passeio e vá, estudar...

       


      As primeiras provas começaram em 2002 e logo na altura da semana académica, como devem adivinhar, os resultados não podiam ser brilhantes, mas nessa altura era o que menos importava. 

      Recordo com saudades os tempos em que íamos para as provas ''feitos salsichas'' numa carrinha com a restante equipa dos ''Terríveis'', em que a refeição antes das provas eram: bolinhos, rissóis e fêveras. 
      Os tempos em que por vezes regressávamos para o Porto ou para Vila Real de bicicleta depois das provas dos campeonatos regionais do Minho e do Porto....

      Tantas boas recordações que estaria a noite a escrever sem nunca chegar ao fim.

      Começamos as aventuras nas férias grandes de 2002 com a volta a Portugal em autonomia. A primeira vez que fomos ao sul do país e que quase matávamos os nossos pais de susto quando lhes contamos o que iríamos fazer. Seguiram-se os vários Caminhos de Santiago em 2003, 2004 e 2005, terminando com a Eurotrip em 2006 (10 países e 4 100km) no ano em que estava a acabar a nossa carreia académica. 
      Depois começaram as competições por etapas : TransAlp em 2007, Cape Epic e TransPortugal em 2008, TransRockies em 2009, TransGermany em 2010.


       


      Em 2008 e a Home Energy - Martifer marcou o inicio da nossa actividade profissional. Ambos na mesma área e basicamente com as mesmas funções. Ganhamos experiência na Micro-produção, projectando e coordenando instalações visando a produção de electricidade e agua quente através da energia solar.

      Em 2009 arrancamos com a Nexplore - Sports Events & Bike Products que é ao dia de hoje a nossa actividade principal. 


      Como vêem, o nosso percurso ao longo do tempo confunde-se com as nossas vidas.

      O Zé, um ser humano incrível com um coração grande e uma força de vontade enorme, tem aqui as minhas palavras de apreço por tudo!

      Forte abraço para ti amigo!


      terça-feira, abril 12, 2011

      Performed by Tiago Aragão & Serpa

      Olá amigos,

      Os últimos dias continuam a ser passados num misto de treino e trabalho especifico visando a recuperação da lesão.

      Mais uma vez enalteço o trabalho do fisioterapeuta Hélder Monteiro que me tem acompanhado desde o inicio neste caminho.

       

      O próximo exame na lista foi feito pelo Tiago Aragão no CTAD. Uma avaliação física completa com medições de vários tipos : Peso, Massa Gorda, etc.

      O pior foi quando sentei-me em cima da burra para os testes de lactato. Aí se notou a falta de treino...não passei a barreira dos 300 Watts. Muito trabalho pela frente para recuperar o tempo ''perdido''.

      Os testes de lactato são efectuados numa bicicleta onde se relaciona a velocidade com a potência e batimento cardíaco. Através destas 3 componentes consegues elaborar um plano de treinos mais preciso e com melhores resultados. Sem duvida que para quem leva a sério o ciclismo\BTT este tipo de exame deva ser feito.


      Depois disto punha-se a questão...vou ou não a Serpa? Claro que não seria para fazer os 160km, mas sim os 80km. 3 dias antes confirmei a presença, 2 dias antes desmarquei, 1 dia antes voltei a confirmar, o organização que me ature!

      A viagem era longa, cerca de 600km desde Amarante, não tinha companhia e só pude sair por volta das 20h. Cheguei a Serpa já passava da 00.30h ainda havia que descarregar a carrinha, montar a tenda da Douro Bike Race. 


      A Toia recebeu-me em sua casa com a ternura que a caracteriza desde que conheci. Nada melhor que um delicioso bolo ainda quentinho para fazer Carbo Loading! Duas fatias, dois dedos de conversa e ala para a cama porque já eram três da manhã. 

      Quando o despertador tocou às 06.30h pensei que fosse um pesadelo, deixei tocar...mas acabei por cair na real e toca a sair da cama porque tinha mais um longo dia pela frente.

      Os bravos que optaram por fazer 160km saíram uma hora antes, às 08h. No ano passado também fazia parte deste grupo, mas este ano fui racional e optei pelos 80km.


      A distribuição dos participantes deveria ter sido 160km - 75% e 80km 25%, provando mais uma vez que o pessoal gosta é de coisas duras!

      Arranquei sem pressas, aproveitei para levar a máquina fotográfica porque a paisagem merecia. Quando dei por mim estava em 3º lugar...e senti-me algo pressionado sem saber o que fazer. Apesar do escasso\nenhum treino estava a sentir-me surpreendentemente bem e conseguia manter uma boa cadência. O terreno ajudava, não tinha subidas muito longas e assim não me fazia ''abafar''. No entanto suspeitava que o ''homem da marreta'' me apanhasse algures numa daquelas colinas Alentejanas...

      Entre o km 60 e 70 esteve perto, mas logo aí fui buscar reforços :


      Vitargo Electrolytes, Vitargo Energy Bars, Vitargo Gel e siga que já falta pouco.

      Olhava para o GPS e já marcava 80km mas Serpa ainda estava longe. Nessa altura estava já na segunda posição, mas o 3º estava no encalço. As forças estava a diminuir, mas consegui aguentar até cortar a meta...

      O segundo lugar soube a uma grande vitoria e o melhor de tudo, o joelho pouco ou nada se queixava!!


      No final o convivo com vários amigos do Sul é algo que faz também merecer a viagem.


      A viagem de regresso incluía uma visita a Vila Viçosa para visitar uma tia com 85 anos e que já não via há anos! Não conhecia este recanto de Portugal que me encheu o coração e me irá fazer por lá passar muitas mais vezes.

      Quanto à minha tia, a sua ternura e carinho deixou-me sem jeito, sem palavras e me fez pensar no quanto a vida é uma bênção que devemos aproveitar intensamente.



      Cheguei a casa já passava das quatro da manhã, mas foi um fim de semana repleto de emoções fortes e que valeu a pena os mais de 1 100km efectuados em pouco mais de 24h. Havia que descansar porque às 08h o despertador voltava a actuar...

      Love the Ride!